Número total de visualizações de página

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013, vamos lá

 
 


Ora com novo ano à vista, quero despedir-me em grande.
Passei o ano aqui ao lado (o último de 8), no país vizinho a ouvir falar de desgraças governamentais e outras, a ver o meu país a ir pelo cano. Ouvi queixumes, fiquei a par de duras realidades entre os amigos e conhecidos.
Apesar de ter tido alguns tropeções ao longo deste ano, alguns deles posteriormente benéficos, pois livrei-me de gente menos decente e de más energias, considero ter um balanço positivo.
Há muito tempo que não tinha a oportunidade de rever amigos, de alguns deles separavam-me 30 anos. Pude cimentar laços, ter encontros, empatias com desconhecidos, novos amigos, partilhas de sorrisos, muitos abraços. E não pedi nada disto. O Universo deu-me de presente querendo eu pensar que mereço.
Portanto, nada tenho a pedir a não ser saúde. Sim, que começam as dores aqui e ali...
Mesmo assim, desejo a todos, força para superar os desafios da vida, luz nas trevas, amor nos corações, compaixão e partilha. Enquanto vivermos, que sejamos felizes e inteiros.
Sobretudo, valorizemos os afectos, são o SOL dos dias que alimenta as almas.

Feliz 2013 a todos





quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Oxigénio

 
 
 
 (O meu pai veio ver-me)
 



O melhor do meu Natal. Carregar baterias num sítio mágico em boa companhia. Ganhei abraços, pessoas que conheci de quem gostei muito. Não pude estar com todos, que a vida prega-nos partidas. Entre chamadas e mensagens, sentí-me mais pertinho.
Balões de oxigénio, é o que vos digo.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

De mim para mim.

 
 


Depois de muito conversar comigo, que ando sempre atrasada nessa coisa de encontrar a "luz e o conhecimento supremo" sim que eu acho sempre que não sou digna de uma série de coisas, eis-me a pensar e tenho decidido, que este Natal vai ser de alegria, reconhecimento e gratidão. Não quero chorar os mortos, não quero ter saudades dos que ainda amo. Guardo-os tão dentro do peito que são mais meus que nunca, sem ter de os partilhar com ninguém. Dos vivos a quem amo, posso dizer que tive um ano tão cheio de encontros e reencontros que acho que foi um brinde, um presente tão grande que não tenho palavras. Momentos e dias em pleno, sem ansiedade, a respirar fundo, sem nós no estômago, com a autenticidade dos abraços e manifestações de carinho várias. O meu núcleo familiar manteve-se unido de pedra e cal, a mãe a melhorar depois de um mau bocado (geração de guerreiros).
Até agradeço o afastamento de certas pessoas que me faziam mal, de sítios carregados de maldade acreditando que algo melhor me espera. Porque não? Eu mereço tudinho de bom.
Surpreendentemente, alguns amigos virtuais que se cruzaram no caminho. Almas que se reconhecem e que nos completam de alguma forma. Com quem se cria laços, sabe-se lá porquê (ou sim) e afinidades.
Já sinto o cheiro dos amigos, a parvoíce e o aconchego. Já sinto o cheiro a mar, a serra a casa.
Sejamos felizes, olhemos para dentro, não deixemos que nos vençam e nos tirem a esperança no futuro. Sejamos solidários.
A Fénix renasceu das cinzas.

Boas Festas



sábado, 1 de dezembro de 2012

Voltaste em sonhos






Pois foi, o Pikles fez o favor de te ir buscar e miavam os dois à minha janela. Fiquei tão feliz!!
Depois acordei e foi a dor adormecida que tomou conta de mim o dia todo. Faz hoje 3 anos que te foste para o céu dos gatos.
Fazíamos a árvore juntos, tu curioso com as bolas, os brilhos e as caixas, num faz, desfaz que nunca me deixava zangada.
Só consegui acender umas quantas velas, pôr um presépio e pouco mais. Não quis trair as nossas memórias logo hoje e, passei o dia calada contigo.
Até tu me tinhas de faltar...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Vem aí

 
 
 


O Natal já anda a mexer comigo. Entre a vontade de adormecer a 23 de Dezembro e acordar a 7 de Janeiro e a vontade de fazer a árvore, ficar de noite a olhar para as luzinhas e deixar-me levar para um mundo encantado.
Vai ser difícil, mais difícil do que possa imaginar. Pelas ausências de muitos anos, pelas mais recentes e pela falta de saúde de outros, que possívelmente impossibilitarão aquela paz que gostamos de ter.
Já para não falar de tudo o resto, o que nos rodeia, o que não podemos mudar e o que podemos em pequenos gestos em demonstrações de carinho.

Aguenta coração.




domingo, 11 de novembro de 2012

Chapéus de chuva e outras coisas







A precisar de respirar, acompanhei o marido numa viagem de negócios a Santander. Muita chuva, uma noite desagradável, mas eu estava encantada que não me é difícil amar as pequenas/grandes coisas.
Depois do check in no hotel, deixámos as malas no quarto e saímos para tomar um chá, que o almoço foi pesado e ajuda a aquecer.
De regresso, ficámos à entrada enquanto eu acabava um cigarro. Aproxima-se uma rapariga e chamou-me a atenção o chapéu de chuva, branco com pintinhas pretas e um folho à volta, assim como uns longos cabelos com canudos largos. Em conversa de circunstâmcia disse que em tempos tive um parecido (chapéu), amarelo, que não sei o que lhe aconteceu...
Eis quando começa a parvoíce.
- Pois eu olho para aquilo e só me lembra lingerie.
- Oh pá, não comeces. Tem uns cabelos lindos a miúda. E o chapéu é engraçado.
- Hummmmm, parou no hall a ver mensagens no telemóvel. Cá p'ra mim... com aquela saia de lantejoulas e aqueles saltos...
-  Não percebes nada de moda, estas coisa usam-se. Não me vais dizer que vem "atacar"?!
- Nãoooooooooo, vem defender!!! Não foi à recepção a mala está vazia (nota-se) e vais ver que nos vai evitar no elevador.
 Entretanto acabava o cigarro e entrámos. Ela ía para os elevadores e quando nos viu parou e verificou de novo o telemóvel. Ele ainda bloqueou a entrada para que ela pudesse subir, mas em vão que ela deu meia volta e ficou a fazer tempo, parecendo não ter entendido nadinha.
- Tás a ver? Eu não disse?
- És horrível, onde aprendes tu estas coisas? Muita experiência, imagino...
- Parva! Vejo na TV.
- Ah, pois tá bem...



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Viagem com eles



 


Não tenho cemitérios físicos para visitar, mas no entanto já fiz uma longa viagem interior desde Moçambique. até às Azenhas do Mar. Desde a minha avó paterna, até aos avôs que não conheci. Aos meus bichos, amigos, familiares e amigos.

Tenho andado raivosa, desencantada e céptica.
Na quinta feira passada, antes de adormecer pedi para sonhar com o meu pai, pedi para matar saudades, por algum conforto. Acordei madrugada fora com a minha mãe caída nas escadas, num cenário de terror que não consigo esquecer. Pareceu-me morta. Pontos na cabeça, uma costela partida e muitos hematomas.
Senti-me traida e abandonada. Zanguei-me com os Deuses, com o meu pai, comigo e com os meus remorsos. Senti que tudo é uma grande e cruel mentira, não me falem de amor e afins, que não quero ouvir.

Enquanto viajei hoje no tempo, fui comprar um banco para a banheira para tornar mais fácil e confortável o banho dela. Preciso de cuidar dos vivos. Preciso de forças, preciso da fé que me abandona.

Isto também há-de passar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Não te demores






Foi a mais nova das meninas, na condição de mimada por todos. Punham-lhe laços, faziam-lhe vestidos e foi poupada ao trabalho no campo. No entanto o encantamento quebrou-se cedo.

Vida difícil a dela.Viveu-a toda na mesma casa muito humilde. Tinha amor para dar, isso sim e cabia sempre um colchão no chão para as visitas e uma mesa cheia para quem aparecesse. Havia nela uma eterna meninice de quem parece viver num universo paralelo, uma ingenuidade estranha em que tudo se aceita, porque assim tem de ser. Sem reclamar. Talvez isso a tenha salvo nos momentos amargos.

Herdou uma avó que não era dela e de quem cuidou até ao fim.
Teve um filho que era dela (muito dela) de quem cuidou até ao fim.
Teve um marido que talvez nunca tenha sido dela, que cuidou também até ao fim. Até o gato a deixou na mais terrível solidão. Arrancaram-lhe os afectos a sangue frio.
Como se não bastasse tem uma doença grave, que aos 80 anos e nestas circunstâncias só pode ser ironia, maldade pura. Mais sofrimento se avizinha.
E não tem quem cuide dela.

Talvez seja chegada a hora de o filho a vir buscar.

domingo, 21 de outubro de 2012

Se chorasse...

 
 
 
 

 
"Os momentos que separavam a noite da madrugada revelavam-se longos e sombrios. Às vezes pensava que se pudesse chorar me sentiria mais aliviado. Mas não sabia por que chorar. Por quem chorar. Era demasiado egoísta para chorar pelos outros, demasiado velho para chorar por mim."
 
 
Haruki Murakami
 
A Sul da Fronteira
A Oeste do Sol
 
 
 
 

domingo, 7 de outubro de 2012

Não digas nada



 
 

NÃO DIGAS NADA!

Não digas nada!
...

Não, nem a verdade!
Há tanta suavidade
Em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada!
Deixa esquecer.
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda esta viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz...
Não digas nada.

(23-8-1934)
Fernando Pessoa
 
 

Premonições

 
 



Tento ser aquela de quem eu e os outros gostamos, positiva e alegre mas não é nada fácil. Dentro de mim acontecem  coisas que me são familiares e que por isso mesmo me tiram o sono o sossego e a paz. A minha fé vem sempre acompanhada de cepticismo .Uns antidepressivos ajudam, grita-me a vozinha lá do fundo, mas eu não quero estar estar anestesiada. Não já, nem agora. O meu psiquiatra tem uma explicação com a qual eu concordo, mas que não sei contrariar. Tenho uma personalidade controladora (nada que não soubesse mas fiquei aconchegada/envergonhada quando ele me disse sem rodeios) logo sou adversa às mudanças, a tudo aquilo que não consigo prever e dominar e é como se me tirassem o chão e caísse vertiginosamente num abismo.
Não percebo nada da vida. A lucidez do positivismo, da esperança e da força que penso ter, abandonam-me quando mais preciso.

Acordei muitas vezes a gritar por ela. A noite tem este poder premonitório sobre mim, os meus terrores aparecem a minha consciência, intuição ou lá o que for, mantem-me alerta como um cão à porta à espera do dono. Sinto o fim a aproximar-se. Falta-lhe a vista, a audição, a alegria e a vontade de viver. Agarra-se aos fantasmas e acredito que lhes pede que a venham buscar. Perder a dignidade, liberdade de movimentos a independência é uma humilhação para ela. Perdeu quase tudo o que a fez feliz. Viver muito pode ser cruel. Vai desaparecendo tudo à nossa volta, ficamos para contar as histórias que ninguém quer ouvir, sentimos a degradação sem que nada possamos fazer quando estamos lúcidos, conscientes de nós. É o caso. Mas não podia ser de outra maneira, ou podia? Assaltam-me as dúvidas, sinto uma quase culpa.

Herdei dela esse control excessivo das coisas e dos outros o que me faz defender-me da própria sombra e dela sobretudo. Sufocou-me sempre, por amor, segundo ela. Mas o que eu sinto é que em todas as acções está um ataque premeditado. Poucas foram e são as manifestações de afecto que eu tenha sentido como genuínas ou então não sei ler nas entrelinhas. Sempre foi tudo muito forçado, porque assim tem de ser, porque é assim que se faz. Porque a vida é dura e não há espaço para mariquices. A espontaneidade de um beijo ou de um abraço, nunca existiram. Porquê? Porquê?
Mas existe a censura de quem, sem nunca saber dar, exige receber.

Não sei se saberei ficar sózinha de mãe. Enerva-me este egoísmo. Exaspera-me esta impotência.



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Soube-me a pouco, mas foi tanto...






Setembro é mágico. Os dias notam-se mais pequenos, com o céu mais perto e uma luz especial. O calor ausenta-se do corpo para voltar à alma, num acto intimista.
Operam-se mudanças em mim, para melhor e, a juntar a tudo isto, tive mais um presente do Universo ao poder revisitar lugares, sítios, pessoas. Cada partilha, abraço, alegria tomaram as proporções desejadas. Inesquecíveis. Quando estou quase a cair na descrença, desencanto, desespero até, lembro-me de todos estes momentos que me fazem bem, e me dizem que tudo vale a pena. Que não vale desistir. Encontrarei o meu caminho, tenho a certeza.
E só me resta agradecer. Muito e tudo.


sábado, 15 de setembro de 2012

Não temos quem nos defenda


Tive uma noite povoada por sonhos maus e estou febril (uma gripe talvez). Fiquei por casa prostrada, sem forças, sem vontade para nada. Fui vendo o facebook, povoado de bandeiras pintadas de preto, coisa que não me agrada, dói-me até.
Com as lágrimas fáceis a saltarem-me dos olhos porque estou mais vulnerável que habitualmente, tenho estado a acompanhar as notícias no meu país via TV. Não via manifestações assim há muitos anos..
E choro de vergonha, de orgulho, de impotência de falta de fé no futuro. Sabemos o que não queremos, mas não chega. Já não há quem nos defenda. Já não há ideais com verdadeiro fundamento que levem ao caminho de mudanças urgentes, com verdadeiras soluções. Não vejo soluções. A partir daqui só vejo caos.
Já passei por épocas muito difíceis ao longo da minha vida, mas havia esperança. Agora parece não haver. Parece.


domingo, 9 de setembro de 2012

Ciclo da vida, o encantamento





Fim de tarde encantado.
Hoje ví-vos assim, juntinhas a preparar a partida. Cai-me a lágrima do costume.
Voltem depressa, vou ter saudades e já me vejo em Março de cabeça no ar à procura de um sinal. de renovação, com a certeza de que o ciclo da vida é perfeito.





Vi um arco íris, senti os primeiros pingos de chuva, o cheiro da terra. Vesti um casaco.
Quis ir para lá de onde veio, ou para lá, para onde vai.


domingo, 2 de setembro de 2012

Impotência esta...


 

Geralmente não fico indiferente aos pedintes. Sinto-me envergonhada, humilhada sem saber que fazer. Não sei se é empatia, respeito, medo de um dia estar naquele lugar. Acabo sempre por dar e nem precisam de me contar uma história. Às vezes apetece-me sentar, conversar, perceber, solucionar.
Em casa, raramente abro a porta a não ser que tenha alguma coisa combinada. Não abro mesmo. E a minha mãe também não.
Há dias, aconteceu ao meu marido. Estava na garagem vi-o entrar em casa a correr para vir buscar moedas. Era um rapaz a vender meias da fábrica que o tinha despedido e o resultado foi ficarmos com meias até sermos grandes.
Ontem estava a fazer o jantar, tocou a campaínha a Coelha foi, abriu e chamou-me.
Era um senhor a rondar os 35 anos e foi muito claro. Qualquer coisa. Podia ser desde roupa de bébé, roupa de cama, comida, até artigos de higiene. Lá foi dizendo que estava desempregado e eu que tenho sempre coisas para dizer, só lhe pedi que esperasse e voltei com leite e arroz que tinha ali à mão (mais uma falta de ar e estômago apertado)
Agradeceu educadamente e foi-se embora. Fiquei a remoer na roupa que tinha deixado no contentor adequado há meia dúzia de dias. O meu marido engordou e não lhe serviam os pijamas, os polos, enfim. Fiquei muito calada durante muito tempo, fui buscar outros exemplos, outras situações.
Sinto-me impotente, não gosto do mundo.
Não consigo deixar de pensar no assunto. Não consigo!


sábado, 25 de agosto de 2012

Setembro já se nota

 
 


Os dias já têm outra cor. Céu limpo, outro azul. 7 graus a menos e uma brisa agradável.
Algumas folhas de árvore já bailam no chão.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Isto está-se a acabar







Os dias têm estado maravilhosos à excepção de hoje que esteve nublado mas sem chuva. Essa acordou-me durante a noite, com um ruído ensurdecedor. Custou-me  voltar a pegar no sono, porque as chuvas de Agosto deixam-me sempre maravilhada. Os cheiros desta manhã eram muito mais intensos.
Portanto aqui fiquei por casa, entre leituras, facebook, um pequeno passeio à tarde às ruínas romanas de Tróia, entre pinheiros mansos, eucaliptos, mar e rio. Um manjar dos deuses para os sentidos. Gosto destas merdas, que hei-de fazer?
A "realeza" já foi à vidinha dela graças aos deuses, mas fiquei com a sensação dos dias contados, de prisioneiro condenado à morte. Falta muito pouco para ter de me meter no carro e rumar a Madrid. É assim como o síndrome de domingo à noite. Dói-me o estômago. Dá-me náuseas.
Já equacionei ficar por cá sozinha mais uma semana, mas estava a sonhar. Sim, porque para variar fico sempre para último lugar nas prioridades.
Bem na verdade vou ver se não azedo os dias que faltam, que já começo a não suportar a minha presença.
Amanhã vou ver o Brave (estou danadinha) o que implica menos um dia de droga da boa (praia) mas na excelente companhia da Coelha, num Centro Comercial perto de mim. Implica algumas asneiras como fast food, gelados e tal.
Mas ainda vou estudar uma maneira de voltar depressa, macacos me mordam

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Bernardooo!! Saia de cima da Martocaaaas!!!!!

Passámos da piscina da quinta dimensão para uma zona de Bernardos, Guilhermes,Vicentes, Mafaldas e Martocas (Martas)...e mainãoseioquê, tá a ver????
Onde raio está o meio termo? Por que é que 4 paposecos custam 5 euros?
Dassssssssssssssssssseeeeeeeeeee
Estou-se-me a ver para o ano a ir a banhos com a mangueira no quintal lá de casa. Se ainda tiver quintal, claro está. Nada de surpresas. Nem algas, nem areia nem diarreias cerebrais. Estou a ficar velha, só pode.
Kanervos!


terça-feira, 31 de julho de 2012

A verdade é que fomos





A verdade é que fomos
feitos do mesmo sangue
violento e humilde

A verdade é que temos
ambos a graça de compreender
todos os homens e todas as estrelas

A verdade é que Deus
nos ensinou
que este é o tempo da razão ardente.

Deus hoje deu-me um pouco
do que toda a vida lhe pedi
foi esta calma e simples aceitação
de que é preciso que estejas
longe de mim
para que amando eu possa conservar
o meu coração puro.

As ruas hoje pareciam mais largas
e mais claras

As casas e as pessoas
pareciam diferentes

Foi só o tempo de pedir a Deus
que prolongasse o generoso engano.

Tu ensinaste-me as palavras simples
as palavras belas
as palavras justas

E fizeste com que eu já não saiba
falar de outra maneira.

O amor substitui
o Sol — que tudo ilumina.

Sonhar contigo é quase como
saber que existo para além de mim.

Se basta que de mim te lembres
para que o sono facilmente venha
porque não hás-de dar-me amor a paz
com que o meu coração de há tanto tempo sonha

Vês como é tão simples
ter o coração
tão perto da terra
e os olhos nos olhos
e a alma tão perto
da tua alma

Por que será
que quanto mais repartimos
o coração
maior e mais nosso ele fica?


Raúl de Carvalho, in “Obras de Raul de Carvalho”


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vou ler que isto passa





Por estes lados ando em maré baixa. Entre outras coisas que me tiram o sono, arranjei uma tendinite num pé, dores lancinantes e uma semana de pé no ar. Entre a cama e o sofá, já não tenho posição, para além de estar a gastar o nome à minha filha, que coitada, já sopra pelos cantos.

Tenho de gramar com os noticiários todos, ou não tivesse uma mãe com tendências profundas para a desgraça o que me deixa num desespero quase pânico em relação ao futuro (mas qual?)...

Ainda, perguntar a pessoas se estão bem assim como respectivos familiares supostamente doentes e não obter resposta alguma. Pois....ainda não perceberam como funciono. A partir de agora que caia o Carmo e a Trindade a ver se eu me ralo.

Estou desejosa de sair daqui.




domingo, 22 de julho de 2012

Aos quatro anos foi assim





Não era dia de ficar em casa. Impensável. Assim que dissesse:
- Tenho saudades do pai...
- Então eu, nem se fala!
Como se fosse possível medir a dor, a intensidade dela. Como se nas minhas veias não corresse o sangue do meu pai, do amor da minha vida.

Sendo assim, tinha planeado que sózinha ou acompanhada estaria comigo e com ele num dia só nosso. Queria ver a pomba branca que me costuma aparecer do nada neste dia. Olhar o céu, ver as andorinhas, ver figuras nas nuvens que inventaria sermos nós em situações felizes. A rirmos juntos de coisas parvas, de nós próprios numa cumplicidade inigualável.

Acabei numa piscina municipal com a cara metade. Livro na bagagem, muitas árvores, águinha e tal.
Mau mesmo, foi a fauna do costume. Gritaria, toalhas amontoadas, farnéis imensos e por aí fora.
Bem, não te enerves, não vale a pena. Não é dia.

À hora de almoço, uma saladinha. Hummm, vai-me saber bem.
Não, nada bem. A alaface estava cozida com horas de tempero. O tomate mole e quente. Blhec!!
Vai-me salvar o melão...errr, também não.
Café??? Si, solo! Horrorrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!

Atrás dos meus óculos escuros um tom antes do apropriado para a neve (ou não posso conduzir) comecei a observar as pessoas à minha volta. Eis senão quando me deparo com um Adónis. Lindo, loiro (não sou fã, prefiro morenos) olhos e tez claros, cabelo pelos ombros. Agradável à vista, por fim qualquer coisinha.
O pior foi quando começou a comer. Com os dentes da frente tipo rato com umas bolas ali, às tantas via-se a comida a bailar a querer fugir mas voltava a entrar...e a cereja no topo do bolo foi pegar na unhaca e palitar os dentes. Credo!

Oh pai, eras tu com o teu adorável sarcasmo a querer fazer-me rir?
Conseguiste!

sábado, 14 de julho de 2012

A minha árvore





Era a árvore preferida da minha rua. Esta manhã não estava lá. Mataram-na de vez. Acariciei o tronco decepado rente ao chão e as lágrimas saltaram-me dos olhos. As outras irmãs, pareciam envoltas num silêncio fúnebre e triste. Imaginei as raízes entrelaçadas, num último aconchego de solidariedade.
Perdi mais uma cúmplice.

As avestruzes



Não entendo como é possível que as pessoas tenham paz de espírito aqui ou na China, quando têm problemas e responsabilidades que considero indiáveis. A fuga para a frente é uma forma de egoísmo e cobardia.

Existem por aí avestruzes desta vida que enfiam a cabeça na areia.
Não se esqueçam que deixam o cú de fora.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

Agradecer




Nas várias fases adversas da minha vida, estão sempre presentes pessoas maravilhosas, anjos desconhecidos que me deixam marcas na alma e histórias para contar, momentos inesquecíveis.
Percebo que ficam ao meu lado incondicionalmente. Que me amam. Que estão sempre lá. Claro que não são todos, os vai e vem não contam.

Portanto e porque às vezes estou azeda e me "esqueço" hoje agradeço:
Pela saúde
Pela família
Pelos amigos
Pelos momentos
Pela natureza
Pela generosidade da vida

Sei que melhores dias virão.



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Parabéns onde estiveres



If you leap awake in the mirror of a bad dream
And for a fraction of a second you can't remember where you are
Just open your window and follow your memory upstream
To the meadow in the mountain where we counted every falling star

I believe a light that shines on you will shine on you forever
And though I can't guarantee there's nothing scary hiding under your bed
I'm gonna stand guard like a postcard of a Golden Retriever
And never leave 'til I leave you with a sweet dream in your head

I'm gonna watch you shine
Gonna watch you grow
Gonna paint a sign
So you'll always know
As long as one and one is two
There could never be a father
Who loved his daughter more than I love you

Trust your intuition
It's just like goin' fishin'
You cast your line and hope you get a bite
But you don't need to waste your time
Worryin' about the market place
Try to help the human race
Struggling to survive its harshest night

Amo-te tanto!

domingo, 24 de junho de 2012

Nunca serei um espírito iluminado




O meu orgulho ferido é o meu ponto mais débil e o meu maior defeito. Não consigo evitar. A minha intolerância para atitudes que pecam não pela forma mas pelo conteúdo, jamais as aceitarei. A falta de transparência, actos cobardes, faltas de carácter e traições, não as perdoo. Não me vendo.
Nas batalhas, tanto nas guerras como na vida, mata-se para não morrer. É uma das leis. O motor é o medo que leva ao instinto de sobrevivência. Ainda assim, pessoas com carácter proporcionam uma morte digna, uma batalha justa em que o adversário luta com as mesmas armas de igual para igual. De forma nobre.
Faço tudo por aceitar as minhas culpas, que as tenho e, aprender a lidar com elas perdoando-me que na verdade só isso importa.
No entanto, caros vencedores, nada na vida é definitivo. Chegará a hora de prestar contas, de enfrentar as consciências.
Até porque quem com ferros mata, com ferros morre.
Parece uma ameaça, uma praga ou maldição.
Não, não é. É apenas outra das leis da vida.





sexta-feira, 22 de junho de 2012

Eu e o Euro 2012



Tenho-me recusado a ver os jogos do Europeu 2012. Tento isolar-me pela casa, ler, passar a ferro, eu sei lá, ainda que nunca deixe de ouvir os gritos da família que está ali colada ao televisor.
Primeiro, porque desta vez não acreditei desde o princípio, disse muitas vezes que nem devíamos ter saído de casa. Porque já não sei perder mais. Porque já não quero ver o meu País em piores lençóis.
Depois, foi quando soube que para limpar as ruas e fazer boa figura, os países onde tudo está a acontecer, mataram mais de 260 000 animais nas ruas de todas as formas cruéis que se possa imaginar. Ninguém se insurgiu. Ninguém, nem que de forma simbólica protestou. E como figuras públicas e em consciência tinham o dever de o ter feito.
Não vou dizer que não gosto dos resultados até agora conseguidos pela selecção. Não vou dizer que não gosto de futebol.

Mas não consigo deixar de pensar no sofrimento e na crueldade.







sábado, 16 de junho de 2012

Cinderela Man




Não vi o filme quando saíu, nem sei bem porquê, mas hoje passou na televisão e fiquei rendida.
Várias coisas mexeram dentro de mim. Sobretudo a admiração por todos aqueles que lutam sem parar, com garra e convicção pela sobrevivência com dignidade.

Inevitávelmente pensei no meu avô materno e percebi porque não o conheci neste mundo.
Alentejano, fugiu de casa aos 12 anos, fez-se à vida como empregado numa mercearia a fazer entregas ao domicílio. Mais tarde, aos 17 anos foi como voluntário para o exército (cavalaria) e simultaneamente aprendeu o ofício de marcenaria/carpintaria. Quando da implantação da república, insurgiu-se, foi preso e acabou a história como militar.
Com as voltas da vida e depois de se render aos encantos da minha avó 12 anos mais nova que ele (um amor de estórias de encantar), foi um marido e pai dedicado de 7 filhos, que teve de ver irem viver com  familiares mais abastados, para que não passassem fome e, porque apesar de tudo, era pior vê-los a trabalhar no campo de sol a sol com 7 ou 9 anos. A sardinha para 6 não é um mito. A sopa era feita com água e ervas do campo (cardos, saramagos, parecidos com grelos).

Talvez por isso tenha partido tão cedo (58 anos) vencido pelos desgostos  (a saudade mata devagarinho) e cansaço. Não lhe foi concedido tempo para ser plenemente feliz que as adversidades eram muitas.
Nunca foi esquecido, nem lembrado levianamente. A minha avó, que muitos anos depois sofreu uma trombose e perdeu a fala e a memória, quando conseguiu recuperar algumas faculdades, falava dele com se tudo tivesse sido ontem, com muito amor, brilho nos olhos e lágrimas de saudade.
Os filhos falam dele como sendo o grande exemplo a seguir e o grande amor das suas vidas.
A minha mãe conta, que quando ele faleceu a coroa de flores apanhadas no campo, foi feita por ela e pela minha madrinha. E que enquanto teciam, choravam em silêncio.

Não era boxeur, era marceneiro/carpinteiro o meu avô. Mas lutou como um guerreiro.

O projecto de reconstrucção da igreja de Alcoentre é dele. Estava a escavar a abóboda quando partiu.

domingo, 3 de junho de 2012

Ai o caçador...



Afinal sempre fui ver o filme dobrado, mas pronto. Com a Coelha por companhia e um um hiper gelado para a engorda.
Pois chorámos, rimos e, como sempre, não gostámos que a bruxa morresse.
Não é um FILME, mas dispõe bem (como diz a minha mãe) e viémos envoltas em magia e encantamento.
Soube muito bem.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Como perder a vontade de ir ao cinema.




Uma: Ayer fui al pre estreno de la peli Blanca nieves y el Cazador. Guau, que peliculón y la Chaslis ni te digo! Guapísima la tía. Pero no es americana. Es Australiana!
Eu: Es sud…
Uma: Americana.
Eu:  Noooo, es sudafricana, de la tierra de Nelson Mandela
Outro: Claro!! El del Sueño! I Have a Dream!
Eu: No…ese era Martin Luther King.

Perdoai-lhes Senhor que não sabem o que dizem...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tá a acordar p'ra vida




Eu juro que ando a fazer um esforço sobrenatural para ser, no mínimo, correcta com os outros.
Até defendo a teoria de que ninguém nasce com mau carácter. A sério! Insisto estupidamente que a vida transforma e tal, que a pessoa é assim e assado porque isto ou aquilo. E escarafuncho até encontrar a causa, canso-me a defender e arranco os cabelos para justificar.

Ai que trabalheira!! Que cansaço!!
Para chegar à conclusão que a minha primeira impressão estava certa, que invento pessoas que não existem e que lugares cativos na minha vida só tem quem EU escolho. É que depois, uma vez que se faz luz, pareço um farol e pronto, a coisa dá-se. É que nem vale a pena. Ohhhhhhh...morreu!!!!

Portanto(s) pessoas, comprem espelhos, façam psicanálise, afoguem-se... e, porr favor, não mostrem mais do mesmo porque já conheço. Não, obrigada. É que nem quero saber.

Além disso qualquer semelhança entre mim e a Madre Teresa de Calcutá, é mera coincidência.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Horário do fim






morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"


Ode à tristeza




Eu canto esta alegria

(entristecida)

de tanto te lembrar

e ser saudade




E a minha voz é forte

timbrada de dias

e distâncias

com as palavras todas mastigadas


(E se tristeza tenho

que me reste

não me julgues parada

ou indecisa

Cristalizei meus olhos de chorarem

e o meu olhar é firme,

certeiro ao teu encontro)


Eu canto esta alegria

de segredar-me ao vento

e seguir viagem


em direcção de ti





leve

impensada

informe

e num fluir de aragem

ser transformada em ar

Pedaço que respiras.

E nos meus dedos mansos

- veludos que pisaram

teu corpo em movimento-

vou amarrar o tempo

as letras do teu nome


E depois morrer.

Eu canto esta alegria

de saber-te


Manuela Amaral in Esta Coisa Quase Vida - 1993 Fora do texto

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Para ela ( ! )


Tenho comigo uma particularidade que não percebo mas que já assumo ser minha, portanto não questiono. Aceito.

Amo pessoas de forma estranha.
Estranhamente amo o meu avô materno, delirei e enternecí-me com as estórias que os filhos contavam, que a minha mãe conta, admiro-lhe o carácter a doçura de um pai de 7 filhos, a persistência e até as fraquezas..
Gosto de secretamente imaginar que lhe herdei algumas destas coisas.
Nunca o conheci. Partiu muito antes de eu nascer.

Amo a minha irmã/irmão. Imagino como seria sermos iguais, cúmplices, amigas (os). Sinto que me acompanha e protege. Partilhámos o mesmo útero ao mesmo tempo.
Nunca a (o) vi. A minha mãe abortou e fiquei eu. Chego a supor, como justificação para o meu pavor ao abandono e solidão, que a causa é essa. Separámo-nos abruptamente. Fiquei cá. Sózinha.

Amo pessoas de quem me falam com paixão, pessoas que são importantes na vida de outras que amo e conheço. Torno-as um bocadinho minhas, através de descrições, pelas demonstrações de carinho relatadas, pela generosidade.

Só vi uma fotografia. Só ouvi estórias. Apercebí-me da grandeza e do amor.

E também a amo.

Quero saber-te livre.
De mim para ti, voa um beijo.


sábado, 19 de maio de 2012

Hoje é o dia




Consegui no mesmo dia magoar as duas pessoas que mais amo neste mundo e só me apetece fugir, de mim.

Há fases em que o meu pior lado se manifesta de tal forma que me faz desacreditar de tudo na vida.
Sou impaciente, odeio chantagens emocionais e sinto-me sem estrutura para aguentar e compreender. Não suporto tanta superficialidade, tanta pretensão, tanta coisa oca.
Evaporou-se a sensatez, generosidade, compaixão...
Sou má pessoa, a sério. É meu o problema. E vou endurecendo a carapaça.

Um dia não tenho fé no amor, na amizade, no futuro, nos outros, em mim em nada...
Hoje é o dia!

Tenho o meu cão aninhado no meu colo.
Posso ter uma réstia de esperança.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O que é que ele disse?







Longe vai o tempo do canal 18 (que não tinha) e do "si cariño" (que não vi) mas que todos comentavam e ficou para sempre no nosso imaginário.

Quando imagino apaixonar-me (ou outra coisa qualquer) por alguém que não fale a mesma língua que eu, entro assim numa espécie de filme de terror, imaginado produzido e dirigido por mim. Perigosíssimo.
Será que chamam pela mãe? Ou são católicos e chamam por Deus? E vou entender alguma coisinha? E que digo se me apetecer?
Por muito universal que seja o amor, a sério, não consigo imaginar um final feliz para uma história destas vivida na primeira pessoa. Morria a rir, porque tem de ser no mínimo constrangedor. Que me desculpem  todos os que viveram a experiência.

E tudo porque esta manhã um gajo passou por mim (muito por mim) e me sussurrou:

"Hermosa !!"

Percebi, mas fiquei sem pinga de sangue.

domingo, 6 de maio de 2012

Quero ser pequena (a máquina era de costura)



Quando Eu For Pequeno

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"


sexta-feira, 4 de maio de 2012




A Prisão do Orgulho


Choro, metido na masmorra
do meu nome.
Dia após dia, levanto, sem descanso,
este muro à minha volta;
e à medida que se ergue no céu,
esconde-se em negra sombra
o meu ser verdadeiro.

Este belo muro
é o meu orgulho,
que eu retoco com cal e areia
para evitar a mais leve fenda.

E com este cuidado todo,
perco de vista
o meu ser verdadeiro.

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sinto


Sinto-me a perder o controle do rumo da minha vida. Sinto o caos no ar, a pairar sobre a minha cabeça. Antecipo despedidas, perdas e novas angústias. Sinto medo, aquele que não nos permite ver mais além, mais nada, nenhuma luz ao fundo do túnel.
E sinto-me a fazer o papel da desgraçadinha que odeio profundamente.
Mas sinto.

Este blog está a ficar impróprio para consumo. Eu entendo.

sábado, 28 de abril de 2012

Isto está uma caca...




Ontem tive um dia muito difícil, com carradas de nervos.Tudo culpa do meu feitio de merda, das coisas que vejo e sinto muito para além do que me mostram.O resultado foi uma enxaqueca de levar aos vómitos e o estômago todo embrulhado. O dia hoje não ajudou, choveu que se fartou e nem saí de casa.
A minha filha acompanhou o meu marido às compras. Fiquei entre a cama, o sofá e os chás. Pouco ou nada disse o dia todo, consumida nesta tristeza e mal estar.

Mas ganhei margaridas. Brancas e amarelas.
E outros mimos. De onde menos esperei.
Obrigada J.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Que há-de ser de nós?



Já viajámos de ilhas em ilhas
já mordemos fruta ao relento
repartindo esperanças e mágoas
por tudo o que é vento

Já ansiámos corpos ausentes
como um rio anseia p'la foz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?

Que há-de ser do mais longo beijo
que nos fez trocar de morada
dissipar-se-á como tudo em nada?

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós

Já avivámos brasas molhadas
no caudal da lágrima vã
e flutuando, a lua nos trouxe
à luz da manhã

Reencontrámos lágrimas e riso
demos tempo ao tempo veloz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós

Que há-de ser da mais longa carta
que se abriu, peito alvoroçado
devolver-se-á: «endereço errado?»

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós

Já enchemos praças e ruas
já invocámos dias mais justos
e as estátuas foram de carne
e de vidro os bustos

Já cantámos tantos presságios
pondo o fogo e a chuva na voz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?

Que há-de ser da longa batalha
que nos fez partir à aventura?
que será, que foi
quanto é, quanto dura?

Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós.

Sérgio Godinho



quarta-feira, 25 de abril de 2012

1974

Não consigo dizer nada. As sensações e pensamentos são tantos, que tudo se atropela. E depois já li e ouvi tanta atrocidade, que tenho a minha dose por hoje.
Continuo a gostar de um 25 de Abril, acontecido em 1974.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Eu comigo



A minha personalidade foi definida por um psiquiatra como "controladora", portanto se eu disser que estou na minha praia, não me sinto assim tão egoista. Para suavizar posso dizer que aqui está ela só para mim.


Eu o mar e sol. Tento ler mas para já não consigo. Preciso da fusão com cada grão de areia de sentir a brisa e o cheiro. E fico assim neste tupor deslumbrada com esta paz e calmaria. Neste longe e perto de mim, sem medo de me enfrentar.




 Entro no mar frio e sabe bem. Limpo as minhas pedras, a minha alma e o meu corpo. Agradeço o regresso e o prazer deste sentir há tanto esperado. Perco-me e encontro-me em pensamentos. Pessoas, lugares, outros mares. E há barcos à vela lá ao fundo. As emoções chegam em forma de lágrimas serenas.




Percebo que a minha filha me faz falta, aqui e agora, a nossa cumplicidade é bonita e é-me fundamental.
Vou sonhando...como consigo ser uma mulher adulta, mãe, profissional, (forte) prática? Quero sereias, príncipes encantados, amantes longínquos e contos de fadas.
Há tantas outras em mim... 

terça-feira, 17 de abril de 2012

"O essencial é invisível aos olhos"

Saúde:

1.     Bebe muita água
2.     Come ao pequeno-almoço como um rei, ao almoço como um príncipe e ao jantar como um pedinte;
3.     Come o que nasce em árvores e plantas e menos comida produzida em fábricas;
4.     Vive com os 3 E's: Energia, Entusiasmo e Empatia;
5.     Arranja tempo para meditar e orar;
6.     Joga mais jogos;
7.     Lê mais livros do que leste em 2011;
8.     Senta-te em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;
9.     Dorme 7 horas por dia;
10.   Faz caminhadas de 10-30 minutos por dia, e enquanto caminhas sorri.


 Personalidade 

11.   Não compares a tua vida com a dos outros. Não fazes ideia de como é a sua caminhada;
12.   Não tenhas pensamentos negativos ou coisas que não controlas;
13.   Não te excedas. Mantém-te nos teus limites;
14.   Não te tornes demasiado sério.
15.   Não desperdices a tua energia preciosa em "fofoquices";
16.   Sonha mais acordado;
17.   Inveja é uma perda de tempo. Já tens tudo que necessitas....
18.   Esquece questões do passado. Não lembres o teu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a vossa felicidade presente;
19.   A vida é curta de mais para odiar alguém. Não odeies os outros.
20.   Faz as pazes com o teu passado para não estragares o teu presente;
21.   Ninguém comanda a tua felicidade a não ser tu;
22.   Tem consciência que a vida é uma escola e que estás nela para aprender. Problemas são apenas parte do curriculum que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprendes perduram uma vida inteira;
23.   Sorri e ri mais;
24.   Não necessitas de ganhar todas as discussões. Aceita a discordância;


 Sociedade:


25.   Contacta a tua família e os amigos frequentemente;
26.   Dá algo de bom aos outros diariamente;
27.   Perdoa a todos, por tudo;
28.   Passa tempo com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6;
29.   Tenta fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia;
30.   Não te diz respeito o que os outros pensam de ti;
31.   O teu trabalho não tomará conta de ti quando estás doente. Os teus amigos e familiares fá-lo-ão. Mantém contacto com eles.


 A Vida:

32.   Faz o que é correcto;
33.   Desfaz-te do que não é útil, bonito ou alegre;
34.   O poder divino e o tempo curam tudo;
35.   Por muito boa ou má que a situação seja.... Ela mudará...
36.   Não interessa como te sentes, levanta-te, arranja-te e aparece;
37.   O melhor ainda está para vir;
38.   Quando acordas de manhã, agradece pela graça de estares vivo.
39.   O teu interior está sempre feliz. Portanto sê feliz.

O AMOR é eterno



Adormeci a chorar, com uma tristeza que não soube descrever. Devem ser as hormonas...
Acordei na mesma.
Durante a viagem de carro, tocou Queen "I was born to love you". Durante a  manhã e ao aparecer a data, percebi tudo. Estúpidos sinais que insistem em revelar-se. Em fazer-me lembrar que quero esquecer estes dias.

Hoje farias 47 anos.
A morte veio anunciada, de fininho, má! E roubou-nos tempo, partilhas e cumplicidades.

Mas estás por aqui. Eu sei.

Ainda te amo, "Fantalinho"

(Ao meu querido primo Fernando)